Antônio Carlos Gomes: competência a serviço do triathlon
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Sempre buscando a alta qualidade em seus serviços e a melhora do desempenho dos nossos triatletas, a Confederação Brasileira de Triathlon conta, desde o início do ano, com a consultoria técnica do Prof. Dr. Antônio Carlos Gomes.


 

O Prof. Antonio Carlos Gomes, formado em Ed. Física e com formação acadêmica na Universidade Nacional de Cultura Física da Rússia em Moscou é PhD em esportes, tendo como orientador o Cientista Emérito Prof. Dr. Leev Pavilovtch MATVEEV. Presta consultoria técnica e científica para diversos órgãos nacionais e internacionais como Clubes, Federações, Confederações, Comitês Olímpicos além de Universidades.

Doutor em Treinamento Desportivo de Alto Rendimento, com alta especialização na área da Periodização do Treinamento para atletas e equipes de alto rendimento, já treinou inúmeros atletas de destaques na modalidade de atletismo, obtendo títulos nacionais e internacionais, foi preparador físico de diversas modalidades como: Basquetebol, Voleibol, Seleção Brasileira de Handebol Feminina, Futebol e Lutas. Durante 8 anos atuou como diretor científico do Clube Atlético Paranaense e participou da conquista de vários títulos, entre eles o Campeonato Brasileiro de 2001, o vice Campeonato Brasileiro de 2004 e a final da Libertadores das Américas em 2005. Publicou mais de 10 livros, traduziu outras 20 obras, além de diversos artigos sobre o sistema de preparação de atletas de alto rendimento. É professor universitário, atualmente na pós-graduação da FEF-UNIFESP em São Paulo. Ele é o responsável a partir dos anos 80 pelas traduções de materiais científicos produzidos no Leste Europeu. Veja abaixo a entrevista que ele concedeu ao site da CBTri.

Quais são os principais objetivos do Projeto Estratégico da CBTri?
O projeto estratégico tem como principal objetivo organizar e dar um direcionamento nas ações da CBTri, auxiliando-a no aspecto administrativo e técnico, criando com isso uma melhor identidade do esporte TRIATHLON na sociedade Brasileira.
 
A partir da sua experiência com esporte de alto rendimento, você acredita que o triathlon brasileiro pode chegar a uma medalha olímpica?
A princípio podemos chegar a uma medalha olímpica, é claro que para isso, o TRIATHLON do Brasil precisa massificar muito mais sua prática, principalmente com promoções de eventos educativos e recreativos para atrairmos os jovens para o esporte. Os Países que se destacam no esporte de alto rendimento, tem como premissa, envolver a sociedade no processo da prática esportiva como um meio de saúde e de divertimento, assim, com a grande massa participando, aumenta a nossa chance de virmos a ganhar medalhas em competições internacionais, incluindo os Jogos Olímpicos.

Qual o papel dos treinadores neste processo?
O papel do treinador é de suma importância, pois é ele que domina o conhecimento para orientar as pessoas nesse processo de prática da modalidade. Aí eu dividiria os agentes/treinadores em duas categorias, sendo os agentes da promoção e orientação esportiva e o técnico propriamente dito, que é o especialista que vai preparar planos de treino e orientar as pessoas que se destacarem ou optarem pela prática competitiva no Triathlon Olímpico.
 
Teremos recursos para viabilizar os projetos necessários para a formação de atletas de alto rendimento?
No Brasil ainda falta uma política séria de esportes que venha colaborar de forma decisiva na formação de campeões no esporte de alto rendimento. Apesar disso, várias modalidades tem se organizado e buscado a iniciativa privada como parceira para desenvolver os seus programas e obterem resultados de destaque internacional. Com o TRIATHLON não será diferente, teremos que buscar apoio na iniciativa privada para ajudar a CBTri a fomentar melhor a modalidade para o resultado de alto rendimento. 
 
Qual a importância da pesquisa científica no treinamento dos atletas?
Atualmente o atleta ou modalidade esportiva que pensa em alto rendimento, deve ter como princÍpio fundamental a busca de  apoio nas áreas científicas. As explicações e respostas para muitas perguntas do treinador, do atleta e da sociedade de forma geral, são respondidas pela ciência acadêmica. As áreas científicas como a nutrição, fisiologia, medicina, fisioterapia, biomecânica e outras, tem se aperfeiçoado muito no esporte aumentando suas contribuições para o trabalho de excelência esportiva.
 
Como será a formação das seleções nacionais?
Uma confederação não pode mais pensar em selecionar 4-6 atletas e considerá-los os efetivos da seleção, mas sim, deve formar várias seleções nas diversas categorias, sempre pensando no trabalho de médio e longo prazo. As seleções devem realizar seus trabalhos em suas regiões, sobre a orientação periódica da CBTri que deve manter em seus quadros um departamento científico que possa atuar diretamente com os selecionados e seus técnicos. Dando orientação e realizando o controle das atividades em todo o país. Assim, mais atletas terão suas chances de participarem das seleções, desde que mantenham suas pontuações em destaque no ranking proposto pelo departamento técnico da Instituição.
 
O trabalho será a longo prazo? Como ficam os atletas que já fazem parte do Projeto Londres 2012?
Sim, o trabalho precisa ser em médio e longo prazo, ai falamos de 8-10 anos para se chegar ao alto rendimento, isso com uma boa estrutura de orientação, equipamentos, diversos especialistas nos ajudando e condições para os atletas participarem de competições de alto nível, somente assim, chegaremos sem dúvida à medalha. Os atletas que no momento são os candidatos a seleção para os Jogos Olímpicos de Londres, devem se mantidos e o acompanhamento dos mesmos numa sistemática muito rígida poderá garantir o sucesso deles, já nos próximos Jogos Olímpicos. 
 
Como será feita a ligação ciência-treinamento no projeto?
Inicialmente, além de implementar os canais para a melhoria dos recursos humanos (técnicos, agentes do esporte, diretores, presidentes de federações e etc), teremos que implantar de imediato um sistema fundamentado na tecnologia de comunicação para estarmos informando, auxiliando, controlando os atletas e treinadores de forma a organizar no país uma metodologia de preparação de triatletas para participarem de competições internacionais. 

A partir da sua formação na Escola Russa de treinamento, o que podemos tirar de melhor e aplicar no nosso treinamento aqui no Brasil?
Obviamente, que o sistema que um país desses utiliza para preparar campeões, nós não conseguiremos implantar no Brasil de imediato e nem tão pouco em médio prazo. Pois vencer no esporte para este povo é uma questão de honra pela Pátria, além de uma formação cultural que ele tem para com o esporte que ainda no Brasil esta em desenvolvimento. Mas de início penso que poderíamos copiar deles o que eles chamam de disciplina, normas, respeito e amor à modalidade praticada. Com esses princípios bem claros na cabeça de nossos atletas, fica mais fácil direcionar um plano que possa realmente atingir o resultado de excelência esportiva.  
 
Qual o perfil ideal de um triatleta de alto rendimento?
A ciência ainda não conseguiu apontar o modelo matemático do possível campeão desta modalidade, o que ela conseguiu nos mostrar é que para encontrá-los nos precisamos massificar este esporte, e a partir dai, os modelos de destaque aparecerão ainda na idade jovem, até mesmo pelo seu destaque inato nas provas do Triathlon. De inicio é sabido que o atleta que apresenta uma boa capacidade de captação de oxigênio e com uma capacidade neuromuscular de bom nível, além da dedicação acima de tudo, está credenciado ao sucesso nesta modalidade.
 
Qual foi a importância da criação do Ranking Brasileiro de Triathlon?
Em qualquer área da atividade humana, onde a competição decide o melhor o vencedor, ou seja, onde tenha disputa, o melhor sistema é a criação de um ranking, pois esta forma é a mais justa quando se oportuniza o atleta/equipe a pontuar em critérios pré-estabelecidos. Assim normalmente se destacará o melhor para um determinado período.

Entrevista dada para o site da CBTri em 15/06/2009
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